O controle das necessidades fisiológicas

Evacuação e Micção
Não há idade ideal para se iniciar o controle das evacuações intestinais e da micção. Nos últimos anos, os psicólogos observaram que somente ao completar vinte meses de vida é que se deve começar e tentar treinar o controle dos hábitos higiênicos da criança, que estarão bem assimilados por volta dos 24 meses.
Este treinamento é longo, exigindo muita paciência e perseverança dos pais. Antes desta data, pode-se conseguir que a criança faça, sem continuidade absoluta, suas necessidades no troninho. Neste período a execução do ato é mais um impulso instintivo, porque somente aos dois anos é que se tornará um ato voluntário. Ele não fará mais as suas necessidades nas calças, porque já sabe que é desagradável e feio.
Naturalmente o início do treino exige que seja levado em consideração o estado de desenvolvimento psíquico e motor da criança no seu primeiro ano de vida. Se o bebê tem alguma limitação para a obtenção destes testes, naturalmente os pais terão de ter compreensão de que a aquisição dos hábitos higiênicos perfeitos será mais demorada e difícil do que para os outros.

A mãe deverá forçá-lo?
Não é conveniente que a mãe seja exigente demais durante o segundo ano de vida criança. Convém habituá-la a se sentar ao vaso sanitário em certas horas, mas não exigir insistentemente a evacuação, pois neste caso a criança poderá adquirir um reflexo negativo ao vaso sanitário. É indispensável que a mãe vigie para que a criança não tenha evacuações dolorosas (fezes volumosas, duras e ressecadas). O uso do penico é aconselhável. Não convém deixá-la nele mais do que dez minutos; porém, se a criança desejar se levantar antes deste tempo, deixe-a.
A maioria das crianças tem medo do vaso sanitário e, sobretudo, da descarga. Se nós, guardadas as devidas proporções, usássemos enormes vasos sanitários, também sentiríamos medo, por ocasião da descarga, de perdermos o equilíbrio e sermos tragados... Muitas vezes as crianças têm os seus motivos...
A imposição dos pais na execução dos hábitos higiênicos tem sido uma das causas de futuras neuroses apresentadas pela criança. O treino diário feito por pais ou responsáveis (babás) inábeis tem sido um desastre. A paciência, a habilidade e sobretudo a pessoa estar descontraída e conformada com os fracassos são fatores indispensáveis para o sucesso.

Conselhos para a criança treinar seu controle intestinal
O meio mais prático de realizar a educação desta função consiste em conduzir a criança ao vaso sanitário na hora exata em que ela sentir vontade. No caso de ela não ter uma hora certa, convém observá-la cuidadosamente, percebendo determinados sinais como rubor, seriedade e desconforto; então a mãe a sentará imediatamente ao vaso, fazendo com que sua repetição acabe fazendo a criança relacionar o ato com o vaso sanitário.
Segure a criança pelas coxas, estando ele com as costas apoiadas na mãe. Durante alguns minutos, e se não obtiver resultado, retire-o sem fazer comentários. Se o hábito da evacuação for irregular, a criança deverá ser colocada no sanitário em intervalos regulares após as refeições. Entre 1 ano e meio e dois anos, geralmente, ela já estará treinada. A prática de induzir a evacuação com supositórios não é indicada. O ato deverá ter clima de rotina, e não há motivo para agitação.


O controle das micções

Conselhos para a criança treinar seu controle urinário
É mais fácil conseguir ensinar a criança a evacuar em lugar apropriado do que a urinar. Por ocasião da apresentação, deverão ser pronunciadas sílabas sugestivas, como “pii...”, “chii...”, a fim de que a criança as relacione ao ato. Até os vinte meses, ou mesmo 24 meses, ela já deverá ter aprendido a controlar a micção diurna, porquanto só conseguirá controlar a noturna após os dois anos. Nesta idade as fraldas deverão ser substituídas pelas calcinhas e cuecas.
Logo ao se levantar, ela deverá ser colocada no vaso sanitário, bem como sempre depois das sonecas, antes e depois das refeições e antes de se deitar à noite. Cada duração deverá ser de poucos minutos.
Geralmente, aos 24 meses ela já aprendeu a controlar durante o dia. Use peniquinhos e evite os sanitários altos.
Os meninos são mais difíceis de treinar do que as meninas. Às vezes a criança já treinada não quer mais fazê-lo. Pode ter havido qualquer experiência desagradável, como contato com tábua fria, molhada, escorregadia etc. às vezes este impedimento dura pouco, até a criança esquecer do incidente; outras vezes pode demorar mais. Algumas crianças só conseguem defecar ou urinar depois que descem do sanitário, quando então se processa o relaxamento dos músculos que os controlam. Isto é conseqüente à tensão nervosa da criança e do ambiente.
O uso de calcinhas e cuecas é de grande importância no estabelecimento do hábito, e não deixa de ser uma “promoção”. Sua presença desperta no subconsciente da criança a técnica disciplinar a que está sendo submetida, isto é, de usar o sanitário. Mais tarde ela terá grande prazer em poder tirá-la sozinha; sabemos que deverá ser estimulada, desde cedo, a independência da criança para os hábitos comuns da vida diária.
O uso da fralda deve ser abandonado logo que possível. A presença do alfinete será sempre uma complicação, pois além da possibilidade de espetar a criança, ela pode engoli-lo. O alfinete provoca uma dependência total da fralda, tendo de esperar sempre o auxílio de um adulto.


O “troninho” penico

O tipo mais usado é o pequeno e baixo. A criança apóia seus pés no chão, facilitando assim os movimentos intestinais, e fazendo pressão abdominal, com a projeção não posição de cócoras das pernas sobre o abdome forçando a eliminação fecal. O de plástico é indicado. É mais fácil de ser lavado, porém é uma tarefa desagradável. O penico deter ter uma base larga, estável (alguns têm borracha na base, para evitar que escorreguem, e outros têm um cinto para impedir que a criança se levante em ocasião inoportuna).
Os dispositivos de adaptação para os vasos sanitários poderão ser usados para as crianças maiores. A grande vantagem é de a criança evacuar diretamente no vaso, sendo fáceis de transportar.
Entretanto, a criança geralmente sente medo da altura e da falta de apoio dos pés, e os meninos comumente urinam fora do vaso.
Treinar a criança antes que o organismo esteja pronto é perda de tempo. Os americanos não marcam data exata para iniciar o processo de controle das micções e evacuações. Os europeus admitem que somente aos dois anos e seis meses, as meninas, e os meninos geralmente por volta dos três anos, estão prontos para usar o penico. Entretanto, algumas crianças só conseguem usar o penico aos quatro ou cinco anos, e isto acontece sem maiores conseqüências.